Em sua primeira individual fora do Conjunto de Favelas da Maré, território que atravessa sua produção
desde o início da sua pesquisa antropológica, o artista apresenta fotografias que exploram as
relações entre paisagem, memória e os imaginários construídos sobre as favelas cariocas
Artista visual e fotógrafo, Douglas Lopes (1991) nascido e criado na Favela da Maré, zona
norte do Rio de Janeiro, inaugura exposição individual na quarta, 16 de setembro, das 11h às
18h, no quinto andar da Fábrica Bhering. Com curadoria de Vinicius Mesquita, “Entre a favela,
o inferno e o céu” apresenta séries de fotografias emblemáticas de sua produção e uma
instalação inédita.
A mostra é parte de um projeto mais amplo de Lopes, contemplado com uma bolsa de dois
anos no Programa de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental (Pista), da Fundação de
Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conduzido por agentes culturais
de diferentes territórios, o programa tem como objetivo estimular iniciativas concebidas e
desenvolvidas a partir desses espaços. Além da exposição, o projeto contempla a publicação
de um livro e a reestruturação da plataforma digital do fotógrafo, que será relançada no evento,
e passa a se chamar Estúdio Maré.
Percurso de ‘Entre a favela, o inferno e o céu’
Treze fotografias digitais de 1.00 x 1.50 m cada, impressas sobre tecido e suspensas por cabos
de aço, formam a instalação inédita “Círculo de fogo” (2026). A sobreposição de imagens dos
alunos do Núcleo de Formação em Dança do Centro de Arte da Maré faz alusão ao espectro
das cores do fogo. O trabalho ocupa o espaço central da galeria e cria um caminho visual a ser
percorrido pelos visitantes. “Gosto de brincar com o fogo e da conexão entre a luz do fogo e a
fotografia”, conta o artista.
Desde 2014, Douglas Lopes vem construindo sua trajetória de forma independente, buscando
inserir sua fotografia em diferentes circuitos de circulação. Em sua pesquisa, ele inverte o olh
da chamada “fotografia antropológica”: com lugar de fala, ele constrói uma narrativa em que os
lugares e seus habitantes não aparecem apenas como objetos de observação, mas como
protagonistas de suas próprias histórias.
A partir de um olhar atento às contradições da cidade, ele encontra outras narrativas possíveis
para lugares frequentemente vistos de fora. A exposição reflete sobre questões sociais e
políticas, ao mesmo tempo em que usa a potência da fotografia para imaginar outra vida
urbana no Rio de Janeiro.
Sobre o artista
Douglas Lopes (1991) é artista visual e fotógrafo nascido e criado na Favela da Maré (RJ).
Desde 2013, desenvolve uma pesquisa que articula território e memória, explorando as
relações entre estética, poética e questões sociais e políticas presentes na vida urbana carioca.
Ao transitar entre o documental e o autoral, seu trabalho parte da experiência cotidiana nas
periferias para construir imagens que tensionam narrativas dominantes sobre o Rio de Janeiro,
propondo reflexões sobre identidade, pertencimento e resistência. Sua produção se desenvolve
entre a fotografia, a instalação e a experimentação visual.
Para além das artes visuais, foi diretor de fotografia da premiada série “Marielle – O
Documentário”, dirigida por Caio Cavechini e Eliane Scardovelli para o Globoplay. Também
assinou a direção de fotografia e entrevistas do curta “Unifavela – o ENEM, a favela e o
Coronavírus”, vencedor do Prêmio ABMES de Jornalismo na categoria Vídeo Nacional.
Em 2021, assinou a fotografia do videoclipe “E Você Diz”, reunindo os artistas Frejat, Jards
Macalé e Luiz Melodia. Dirigiu, roteirizou e fotografou o curta “É Preciso Estar Vivo Para Viver”
para a campanha “Somos da Maré! Temos Direitos!”. Em 2023 foi indicado ao prêmio
internacional MAST Photography Grant on Industry and Work [Bolonha, Itália], no qual havia
apenas dois brasileiros, Douglas e uma pessoa de SP.
Ele tem também uma atuação contínua na área da comunicação e da cultura comunitária.
Entre 2013 e 2017, foi fotógrafo e professor na Lona Cultural da Maré. Entre 2017 e 2020,
integrou a equipe do jornal comunitário Maré de Notícias e desde 2013, trabalha como
fotógrafo e videomaker na organização Redes da Maré.
Fez formação em preparação de obras de arte no Instituto Moreira Salles e qualificação
profissional em identificação de técnicas e conservação preventiva de acervos fotográficos
históricos na Fundação Oswaldo Cruz, ampliando sua compreensão sobre conservação,
circulação e apresentação da imagem no campo artístico. Frequentou o curso técnico de
especialização em assistência de câmera para cinema da UFRJ e a Universidade das
Quebradas, na Faculdade de Letras também da UFRJ (Heloisa Teixeira).
Serviço
“Entre a favela, o inferno e o céu”, de Douglas Lopes
Exposição de fotografia e Lançamento da plataforma Estúdio Maré
Curadoria Vinicius Mesquita
Fábrica Bhering | R. Orestes, 28 | 5º – Santo Cristo, Rio de Janeiro
Abertura: quarta, 16 setembro 2026, das 11h às 18h
Visitação até 18 de fevereiro de 2027
Funcionamento: segunda a sábado, 9h às 18h
Classificação livre