9ª operação policial de 2026 na Maré deixa rastro de violações de direitos

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Casas invadidas, danos ao patrimônio e furtos

Por volta das 5h da manhã desta quarta-feira (10), moradores de oito das 15 favelas da Maré acordaram ou tiveram sua rotina impactada pela 9ª operação policial do ano na região. O som de helicópteros realizando voos rasantes intensas trocas de tiros marcou o início desse dia na Maré.

As favelas Conjunto Esperança, Salsa e Merengue, Vila dos Pinheiros, Vila do João, Bento Ribeiro Dantas, Nova Maré, Baixa do Sapateiro e Morro do Timbau receberam a operação, marcada por diversas denúncias de violações a domicílios e estabelecimentos comerciais. Casas foram invadidas e patrimônios danificados. Moradores denunciaram, inclusive pelas redes sociais, furtos de bens durante a ação. Um jovem relatou que todo o seu salário, no valor de R$ 1.800, teria sido levado por agentes.

Violação dentro de casa

Durante toda a operação, moradores denunciaram invasões a residências e depredação de imóveis. Também foram relatados furtos de pertences pessoais e de mercadorias de comércios locais. Um comerciante afirmou que celulares vendidos em sua loja foram levados durante a ação. Já uma loja de roupas teria sido destruída por agentes de segurança.

Nas primeiras horas da operação, uma família permaneceu por mais de três horas com agentes de segurança dentro de sua residência, sem a apresentação de mandado judicial que autorizasse busca ou apreensão no local. Durante todo o período, crianças estavam presentes no imóvel.

Ferimento e falta de socorro

Além das violações aos domicílios, mais uma vez uma pessoa foi atingida por um disparo efetuado a partir de um blindado. Segundo relatos de moradores, Ray César Estorna Felippe, de 32 anos, foi baleado na região do abdômen e não recebeu atendimento de primeiros socorros no território.

Ele foi levado por moradores ao Hospital Municipal Evandro Freire, onde permanece internado em estado grave após passar por cirurgia.

Durante a operação, não foram vistas ambulâncias para prestar socorro a possíveis vítimas, medida prevista pela ADPF 635. Além desse descumprimento, moradores relataram que alguns agentes não utilizavam câmeras corporais.

Helicóptero e medo

O barulho dos voos rasantes de helicópteros sobre a região marcou o início da manhã desta quarta-feira. Moradores compartilharam relatos de que os disparos pareciam partir das aeronaves.

Nas redes sociais, também circularam imagens de pessoas tentando se proteger das trocas de tiros no horário em que saíam para o trabalho. Em alguns vídeos, passageiros aparecem deitados no chão de estações e corredores do BRT.

Educação e saúde

Além das violações de direitos, a operação impactou diretamente os serviços de educação e saúde.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que 42 escolas da região da Maré foram afetadas pela operação. Na rede estadual, outras duas unidades suspenderam as atividades. Ao todo, 44 escolas permaneceram fechadas, deixando 16.092 estudantes sem aulas por mais um dia letivo.

Na área da saúde, quatro unidades de atenção primária suspenderam os atendimentos: a Clínica da Família Augusto Boal, a Clínica da Família Adib Jatene, a Clínica da Família Jeremias Moraes da Silva e o Centro Municipal de Saúde Vila do João.

Sobre a operação

Segundo as assessorias das polícias, a operação tinha como objetivo cumprir 56 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão. A ação foi realizada por equipes do Comando de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar, da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) e de todos os departamentos-gerais da Polícia Civil. A investigação teria sido conduzida pela 21ª DP.

Questionadas pelo Maré de Notícias, as instituições não responderam aos pedidos de informação sobre o balanço da operação, o número de agentes mobilizados, a ausência de ambulâncias, a quantidade de policiais utilizando câmeras corporais e o número de mandados efetivamente cumpridos.

Campanhas educativas da Redes da Maré demonstram os limites da atuação policial em operações policiais

Acolhimento

Durante operações policiais, o Maré de Direitos, projeto do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes da Maré, realiza um plantão de acolhimento para situações de violações de direitos, presencialmente na Maré e pelo WhatsApp (21) 99924-6462.

Nesta quarta-feira, a equipe esteve em um dos prédios da Redes da Maré, na Rua Teixeira Ribeiro, realizando acolhimento de moradores, atendimento sociojurídico e acompanhamento in loco das violações registradas durante a operação.

Além da Redes da Maré, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) mantém um plantão especial para atendimento à população. O serviço gratuito pode ser acessado pelo telefone e WhatsApp (21) 2215-7003 ou pelo e-mail gt-adpf635@mprj.mp.br.

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